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Escuta Só - SAL DA TERRA, SAL DE ANGRA

  • Foto do escritor: Edu Fontes
    Edu Fontes
  • 1 de set. de 2025
  • 2 min de leitura

Há uma cidade onde o mar beija a montanha e o céu se reflete em 365 ilhas. Angra dos Reis já foi cenário de novelas, filmes e sonhos. É a terra da Ilha Grande, das praias de areia dourada e das trilhas que levam a segredos escondidos na Mata Atlântica. Mas esse paraíso, generoso e belo, está sendo silenciosamente roubado de nós.


Lembro-me da primeira vez que ouvi "Sal da Terra", de Beto Guedes. A voz doce do artista, traduzindo um grito urgente, ecoava: "Terra, estão te maltratando por dinheiro". Na época, eu pensava na poluição dos rios, no desmatamento distante. Hoje, vejo que a letra é um espelho de Angra: a ganância imobiliária avança sobre praias, ilhas e trilhas que nunca deveriam ter dono.


Em Freguesia de Santana, o gradio avança sobre a areia. Na Praia dos Meros, cães ferozes e vários outros cenários, homens armados afastam turistas e moradores. São como fariseus modernos, que cercam o paraíso e vendem o que é de todos. Eles agem na sombra, sem blitz policial que os detenha (esses sujeitos nem rodam pelas estradas...), como se a lei não chegasse às suas fortalezas de concreto e egoísmo.


Beto Guedes já alertava: "Vamos precisar de todo mundo para banir do mundo a opressão" (...) e "recriar o paraíso agora". Mas quantos ainda ouvem essa mensagem? Quantos veem os "refugiados ambientais" de Angra — pessoas alijadas aos barrancos escorregadios, encostas instáveis e margens de rios que reclamam de volta suas mergens, e o que de pior sobre aos que servem. São praias, ilhas, trilhas, cachoeiras e... pessoas que clamam por socorro!


A especulação imobiliária é a vedete cristalinamente visível dessa tragédia. Ela não polui com lixo, mas com cercas. Não destrói só com tratores, mas também com documentos falsos e ameaças. E pior: faz isso sob o disfarce do progresso, como se privatizar a beleza fosse um direito de alguns.


Mas Angra não é commodity. É herança natural que pertence a todos nós — pescadores, turistas, crianças que brincam nas ondas, artistas que cantam sua magnitude. Por isso, inspirado por "Sal da Terra", digo: uma mais um é sempre mais que dois.


Bora dar um abraço coletivo nas trilhas invadidas, mostrando que a força da comunidade é maior que a ganância. Como na música, precisamos de todo mundo. Se você ama Angra, junte-se a nós. Compartilhe suas histórias, denunciae, participe.


Porque, no final, como cantou Beto Guedes, o sal da terra é o amor. E que o amor por Angra nos una para proteger cada grão de areia, cada onda, cada pedaço desse chão que é nosso — e de mais ninguém.


 
 
 

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