Forró DuBrão: A batida pé-de-serra que se tornou o coração da Ilha Grande.
- Soul Costa Verde

- 19 de mar.
- 2 min de leitura

Quem frequenta a Vila do Abrão já sabe: o som da sanfona é o convite oficial para as melhores noites da Ilha Grande. Entre o vai e vem de turistas de todo o mundo e o cotidiano dos moradores locais, o Forró DuBrão consolidou-se como mais que uma banda; eles são hoje uma instituição da cultura caiçara com alma nordestina.
O Fole que Comanda a Vila
Liderado pelo sanfoneiro Jackson Santos, o trio — completado por Guilherme Carvalho na zabumba e Jonas Pereira no triângulo — resgata a formação mais pura do forró. Mas não se engane pela simplicidade dos instrumentos: a pressão sonora e o entrosamento do grupo preenchem as praças e casas de shows com uma energia que raramente se vê em formações desse tipo.
Jackson Santos, com seu carisma nato e um domínio técnico impressionante da sanfona, é o mestre de cerimônias. Ele não apenas toca; ele conversa com o público através do instrumento, criando uma atmosfera onde o espectador deixa de ser apenas um observador para se tornar parte do espetáculo.

Interação e Carisma: O Diferencial
O grande trunfo do Forró DuBrão é a sua capacidade de leitura de público. Em um ambiente cosmopolita como a Ilha Grande, é comum ver o grupo unindo, na mesma pista de dança, um mochileiro europeu que nunca ouviu um xote e um morador antigo da Ilha que carrega o forró no sangue.
"A música deles tem uma 'didática' própria", comenta um frequentador assíduo das noites do Abrão. "O Jackson brinca, chama a galera, o Guilherme e o Jonas mantêm um ritmo que ninguém consegue ficar parado. É impossível não sorrir assistindo ao DuBrão."
Essa interatividade é o que os levou aos principais palcos da região, como o Arraiá do Abrão e a tradicional Festa de São Pedro e São Paulo. O grupo transformou o "pé-de-serra" em uma linguagem universal na Costa Verde.
A Salvaguarda de uma Tradição
Em tempos de músicas descartáveis, o Forró DuBrão segue na contramão, apostando na resistência do couro da zabumba e no brilho do triângulo. O repertório é uma viagem afetiva pelos clássicos de Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Jackson do Pandeiro, mas sempre com um "tempero" local que só quem vive e respira a Ilha Grande consegue imprimir.
Para os amantes da boa música e para quem busca uma experiência cultural autêntica no Rio de Janeiro, o Forró DuBrão é parada obrigatória. Eles provam que, enquanto houver um fole aberto e um coração batendo no ritmo da zabumba, a tradição brasileira seguirá viva e pulsante à beira-mar.




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