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- Quando o Tambor Une Vozes: A Fé e a Resistência nas Cantigas Afro-Brasileiras
CAMINHOS DA SERRA Nas diversas expressões culturais do povo negro no Brasil, os toques e cantigas, ainda que diferentes, guardam semelhanças profundas. A capoeira, o jongo e as comunidades de terreiro, cada uma com sua identidade, também carregam influências do catolicismo popular, fruto do encontro e da resistência que marcaram nossa história. O que todas têm em comum é a forma de transmitir mensagens, sempre através de cantigas e ritmos. Essa linguagem musical foi, por muito tempo, um código de comunicação. Na capoeira, por exemplo, existia um toque específico para avisar que a polícia estava se aproximando, em tempos em que a prática era proibida, garantindo que os negros nunca fossem pegos de surpresa. Entre tantas cantigas, há uma em especial que atravessa diferentes manifestações, aparecendo na Folia de Reis, no jongo, na Umbanda e na própria capoeira. Ela diz: “Oi Deus nos salve a casa santa, êô Onde fez a morada, êô Deus nos salve o cálice bento, êô E a hóstia consagrada, êêêôôô” Mais do que versos, são palavras que carregam fé, ancestralidade e união, provando que, mesmo em caminhos diferentes, a batida do tambor e a força da voz mantêm viva a memória e a identidade de um povo.
- Portas Abertas para o Paraíso
Com belas praias, trilhas, cachoeiras e ilhas paradisíacas, Mangaratiba é o início de uma jornada inesquecível pela Costa Verde. Muita gente passa por Mangaratiba a caminho de outros destinos e nem imagina o tesouro que está deixando pra trás. Situada no início da Costa Verde fluminense, a cidade é um convite a desacelerar e aproveitar o melhor da natureza com tranquilidade e autenticidade. Com seu litoral recortado e preservado, Mangaratiba possui dezenas de praias, como a Praia do Sahy, Ibicuí, Junqueira e Conceição de Jacareí. O mar calmo e transparente convida ao banho e ao descanso sob a sombra das amendoeiras. O município é uma das principais portas de acesso à Ilha Grande, com embarque diário para quem busca aventuras ou momentos de paz em meio ao mar. Mas quem escolhe ficar por ali mesmo, encontra um destino completo: passeios de barco, mergulho, pesca esportiva, trilhas pela Mata Atlântica e lindas cachoeiras escondidas, como a do Véu de Noiva. Mangaratiba também preserva casarões coloniais, igrejas antigas e memórias do ciclo do café e do ouro, que ajudam a contar um pedaço importante da história do Brasil. CURIOSIDADE: Mangaratiba foi cenário de novelas, filmes e até lar de artistas famosos. Sua beleza natural já serviu de pano de fundo para grandes produções da TV brasileira. ENTÃO: Se você busca sossego, paisagens deslumbrantes e fácil acesso à Ilha Grande, Mangaratiba é o ponto de partida ideal. E o melhor: muitas belezas ainda estão fora das rotas tradicionais do turismo de massa. O Soul Costa Verde convida você a redescobrir esse paraíso escondido, com calma e olhos atentos.
- Festival da Cachaça, Cultura e Sabores de Paraty 2025: Tradição, sabor e resistência caiçara
De 14 a 17 de agosto de 2025, Paraty vira cenário de uma celebração ímpar da cultura, história e gastronomia local com o tradicional Festival da Cachaça, Cultura e Sabores de Paraty, agora em sua 43ª edição. Uma festa em cada copo A entrada é gratuita, o que torna tudo ainda mais democrático e acolhedor. Os principais alambiques da região — produtores que carregam tradições ancestrais desde o século XVI — estarão reunidos, oferecendo degustação de cachaças autênticas, ao mesmo tempo em que valorizam métodos que são patrimônio cultural e afetivo de Paraty. Programação que une paladar, arte e tradição O coração do festival é uma praça de convivência gastronômica, com música ao vivo, shows locais e uma programação que valoriza o saber caiçara e a cultura da cachaça. E tem mais: Aulas-show com chefs e mestres da coquetelaria, como Rô Gouveia, criando receitas inusitadas como Brigadeiro de Gabriela e Penne com molho de funghi e cachaça Oficinas criativas: coquetéis com temperos regionais e pratos flambados. Cultura viva: rodas de conversa com mulheres alambiqueiras, sambas, cortejos com bonecos gigantes, cavalgada, cinema ao ar livre e programas gastronômicos colaborativos com comunidades tradicionais. Programação destacada: Quinta (14/08) – Dança Xiba Cateretê da Tarituba e abertura com ciranda elétrica e Érica Carvalho. Sexta (15/08) – Feira de alambiques durante o dia; Rô Gouveia, shows com Igor Yamas e Thiago Martins à noite. Sábado (16/08) – Aula-show sobre cachamissú; roda de conversa; samba de raiz; cortejo cultural; encerramento com Milton Guedes. Domingo (17/08) – Gastronomia criativa com Débora Cristina; culinária das comunidades indígenas, quilombolas e caiçaras; samba com Rosena; oficina sobre sabores da terra e do mar. Cultura caiçara que ecoa além de copos Paraty não é só cartão-postal. É UNESCO Cidade Criativa da Gastronomia e Patrimônio Cultural e Natural Mundial, integrando centenários saberes agrícolas, caiçaras e quilombolas em harmonia com a natureza. Soul Costa Verde estará por lá! Nossa equipe vai acompanhar de pertinho esse mergulho de sabores, saberes e smiles caiçaras. Preparem-se para muitas fotos, histórias saborosas e, claro, aquela caninha amiga que homenageia uma das tradições mais afetivas do litoral fluminense.
- Entre nomes trocados, histórias esquecidas e uma cidade que resiste
Você já ouviu falar que Rio Claro já teve outro nome? Pois é… nem todo mundo sabe, mas esse cantinho do interior do Rio já se chamou Itaverá ! E não para por aí. Teve até uma cidade vizinha, São João Marcos, que foi incorporada ao território. Bora entender esse enredo digno de novela histórica? A história começa lá no século XVIII, quando o desbravador Simão da Cunha Gago — nome forte, né? — veio pelas bandas da Paraíba Nova , como chamavam a região onde hoje fica Resende. Por lá, em 1733, João Machado Pereira montou sua fazenda e logo construiu uma capelinha dedicada a São João Marcos. Pronto! Estava plantada a sementinha do que viria a ser uma importante comunidade da região. Com o tempo, essa pequena vila foi crescendo, virou freguesia em 1755, e no fim do século já tinha até igreja de respeito, reunindo cada vez mais gente em torno dela. O lugar passou a se chamar São João do Príncipe — nome de realeza, diga-se de passagem! Por muito tempo, Rio Claro e São João do Príncipe seguiram caminhos paralelos, cada um crescendo no seu ritmo. Mas aí veio o boom do café. Aí, meu amigo… a região bombou! Fazendas brotando por todo lado, casarões imponentes sendo erguidos, dinheiro circulando — foi uma época de ouro! Mas como tudo na vida, as marés mudam. Com o fim da escravidão e o café migrando para São Paulo, as coisas começaram a esfriar. Rio Claro se virou bem, trocando café por gado leiteiro. Já São João Marcos não teve a mesma sorte. Ficou fora das rotas rodoviárias e ferroviárias, perdeu força… e acabou sendo incorporada a Rio Claro em 1938. E lembra do Itaverá que falei lá no começo? Pois é, entre 1943 e 1956, Rio Claro adotou esse nome temporariamente. E teve mais mudança: a vila que antes era chamada de Santo Antônio do Capivari , depois virou Parado , e hoje atende por Lídice . Ufa! Quantos nomes, né? A verdade é que Rio Claro tem dessas histórias que poucos contam, mas que merecem ser lembradas. Afinal, é dessas transformações, recomeços e reinvenções que se faz a alma de um lugar. E é por isso que a gente ama contar essas histórias aqui no Soul Costa Verde — com verdade, leveza e um pouco de charme também.
- Escuta Só: "TEMPO PERDIDO E O CHEIRO DE TRAIÇÃO"
"PERDIDO E O CHEIRO DE TRAIÇÃO" (Crônica para ser lida ao som da canção de Legião Urbana) Era 1987. O cheiro da cola branca ainda grudava nos dedos quando eu colava a letra de Tempo Perdido no caderno de capa preta. Acreditava, com aquela fé cega de menino de uniforme amarrotado, que o futuro seria feito de gente como a Legião Urbana: indignada, mas esperançosa. O Brasil engatinhava para a democracia, e eu achava que os eleitos para governar seriam como aqueles professores de história que nos faziam decorar o preâmbulo da Constituição com orgulho. Trinta e oito anos depois, o cheiro que persiste não é o da cola escolar, mas o de pólvora e café estragado. Acordo cedo — não pela ansiedade dos dias novos, mas pelo vício antigo de conferir quantas vezes fomos vendidos durante a noite. O rádio toca a mesma música, mas agora Renato Russo parece cantar para um deputado federal que, de tão patriota, resolveu morar no quintal do império. Ele usa o passaporte verde-amarelo como camuflagem enquanto ensina aos gringos como estrangular nossa economia: "Aumentem as taxas em 50%, sim, senhor presidente, afinal o povo brasileiro adora um suicídio coletivo". O pai desse sujeito — o mesmo que tentou trancar as portas do Planalto e apagar as luzes da democracia — agora espera o julgamento como se espera um ônibus atrasado: irritado, mas convencido de que a culpa é do horário. Enquanto isso, o filho pródigo faz das tripas coração para converter seu mandato em moeda de troca. Acontece que o real já desvalorizou, e o caráter nunca esteve em alta. Nas fábricas do interior, os operários escutam a mesma notícia como quem leva um soco no estômago: "Vamos parar a produção". O chefe anuncia com voz rouca que não há mais para quem vender. O aço, o café, a soja, o peixe — tudo encalhado porque um brasileiro de bandeirinha do Brasil na lapela achou mais lucrativo fazer média com quem nos vê como colônia. O curioso é que os mesmos que gritaram "não vai ter terceira via!", agora aplaudem a via-crúcis do trabalhador brasileiro. Renato avisa no meu fone: "Todos os dias quando acordo / Não tenho mais / O tempo que passou". Mas o tempo não passou, não. Ele foi roubado. Roubaram os dias em que acreditamos que política era sobre bem comum. Roubaram a noção de que soberania não é slogan de camiseta, mas arroz no prato. Roubaram até a indignação, que agora vem em formato de meme, mastigada e digerida antes mesmo de chegarmos à reflexão. O menino de 1987 queria mudar o mundo. O cinquentão de 2025 sabe que o mundo não muda — ele é arrastado. Arrastado por esses sujeitos que confundem pátria com patrimônio, e que tratam o povo como herdeiro incômodo. A música termina. Fico imaginando se, em algum lugar, um garoto cola letras de protesto no caderno, achando que os versos podem consertar o futuro. Tomara que sim. Tomara que ele não descubra tão cedo que há homens que nascem para trair, e outros — a maioria — para limpar a sujeira que eles deixam. O dia escurece. Amanhã teremos menos empregos, mais impostos, e a mesma ladainha de "brasileiro não desiste nunca". Mas desistir é luxo de quem tem alternativas. Nós, os otários de plantão, seguiremos acordando cedo, ouvindo Legião Urbana e fingindo que ainda não entendemos o óbvio: O Brasil não perde tempo. Ele é perdido.
- Costa Verde e suas maravilhas naturais
Se você é um amante da natureza, cultura e história, a Costa Verde do Rio de Janeiro é um verdadeiro paraíso a ser explorado. Ao longo dessa região, que engloba destinos como Angra dos Reis, Paraty, Mangaratiba, Itaguaí e Rio Claro, é possível descobrir maravilhas naturais de tirar o fôlego e mergulhar em experiências autênticas. Fonte: Internet O Soul Costa Verde é um portal que nasceu da paixão por essa terra encantadora, onde o mar se encontra com a serra, e tem como propósito conectar pessoas que compartilham desse mesmo encanto. Se você é um turista em busca de destinos sustentáveis, um morador que deseja explorar mais a região, ou simplesmente um curioso interessado em conhecer mais sobre as riquezas locais, o Soul Costa Verde é o lugar certo para se inspirar. Descubra roteiros especiais, curiosidades históricas, tradicionais pratos da gastronomia local e conheça personagens que fazem parte do tecido cultural dessa região tão singular. Além disso, o portal apoia empreendedores, artistas e iniciativas culturais, valorizando o que há de mais genuíno e belo nesse pedaço de paraíso. Se você busca uma conexão íntima com a natureza, a arte e a história, não deixe de explorar as maravilhas da Costa Verde através do Soul Costa Verde. Conecte-se com essa comunidade engajada e apaixonada, e embarque em uma jornada de descobertas e inspiração. Afinal, a beleza e autenticidade desses destinos estão esperando para serem desvendadas por aqueles que possuem um coração curioso e aberto. Venha fazer parte desse universo encantador e descubra toda a magia que a Costa Verde tem a oferecer.
- Escuta Só: "É"... A Vida (e a infância) que a Gente Queria
Estuca Só: Edu Fontes Enquanto o a noite reinava soberana sobre o mar de Angra dos Reis num domingo entre os primeiros de julho, um evento oficial promovido pela prefeitura transformava a orla em palco de música e celebração. A proposta, em tese, era das mais nobres: usar a arte para unir pessoas, aquecer o turismo e celebrar a vida. Mas a vida, como bem lembrou Gonzaguinha, "deveria ser bem melhor". E em meio aos acordes e aplausos, uma cena discreta - quase banal - escancarou o abismo entre o que "é" e o que "deveria ser". Enquanto técnicos reconfiguravam o palco para a próxima atração, o locutor, num suposto gesto de solidariedade, destacou uma "pequena empreendedora" de nove anos que vendia adereços na plateia. O item, segundo ele, havia viralizado no TikTok. O público sorriu, alguns compraram. Ninguém estranhou que, naquela noite de festa pública, uma criança trabalhava. "É bonita, é bonita e é bonita", diria Gonzaguinha. Mas também é triste. A cena ganha contornos ainda mais cruéis quando confrontada com os números do jornal O Globo em sua matéria "Tragédia Precoce": 415 menores mortos em acidentes de trabalho entre 2007 e maio deste ano. Três vidas perdidas por mês. Quinze crianças ou adolescentes feridos diariamente em atividades perigosas - justamente aquelas proibidas para menores de 18 anos. "É... a vida devia ser bem melhor", cantava o compositor. Mas para essas crianças, a vida "é" de trabalho precoce, de infância interrompida. Não se trata de crucificar o locutor, que provavelmente agiu com boa intenção. O problema, como bem sabia Gonzaguinha, é estrutural: "É sempre assim/Dois pra lá, dois pra cá". Romantizamos a criança "batalhadora", como se fosse virtuoso carregar responsabilidades de adulto antes da primeira década de vida. No evento, aplaudiu-se a menina, mas ninguém perguntou por que ela não estava em casa, brincando ou estudando. Afinal, qual é a infância que a gente quer? A matéria de O Globo nos lembra que o trabalho infantil raramente é questão de escolha - "é" sobrevivência para muitas famílias. Mas quando o próprio Poder Público, que deveria garantir direitos, promove eventos onde crianças trabalham (mesmo que indiretamente), ele normaliza o que deveria ser exceção. "É" assim hoje, mas não precisa "ser" assim amanhã. Gonzaguinha acreditava que "a vida devia ser bem melhor e será". Para isso, precisamos ir além dos aplausos ocasionais: fiscalização efetiva, políticas públicas que ataquem a pobreza estrutural e, principalmente, um novo olhar. Não basta reconhecer que "é" bonita - é preciso agir para que seja justa. Enquanto a música seguia em Angra, a menina sumiu na multidão, talvez rumo a outra venda, outra noite. Em algum lugar do Brasil, como revela o jornal, mais três crianças não voltarão para casa este mês. "É" a vida real, dura e crua. Mas pode - e deve - ser diferente. Como ensinou Gonzaguinha: "Mas isso não impede que eu repita/É bonita, é bonita e é bonita". A infância também merece sê-lo. **P.S.:** Que na próxima vez que um locutor chamar atenção para uma criança na plateia, seja para convidá-la a subir ao palco - não como trabalhora, mas como espectadora, como criança que merece simplesmente ser. Porque a vida, quando se trata de infância, não deveria aceitar o "é" - mas perseguir incansavelmente o "será". https://open.spotify.com/intl-pt/track/2CoKGyZavJWTFUPyvWoj0b?si=5291597b59e1415a
- ESCUTA SÓ: Notas Desarrumadas e Futuros Possíveis – Cecília, Lola Young e a Arte de Ser Messy
Escuta Só Há algo de revolucionário em uma criança que canta sem medo. Algo de feminista em notas quebradas, em vozes que ainda não aprenderam a se calar. Minha neta, Cecília , tem menos de dois anos e já conta com um repertório de sons que não obedecem escalas perfeitas, mas carregam uma verdade que muitas artistas levam a vida inteira para encontrar. Seus pais, conscientes ou não do ato político que é criar uma menina com liberdade para explorar sua voz, enchem a casa de instrumentos, canções e espaço para que ela experimente – sem julgamento, sem correção. Enquanto isso, do outro lado do mundo, Lola Young canta "Messy" – uma ode ao caos que habita a gente quando decidimos não nos encaixar. A música é um grito suave, uma melodia que abraça a desordem como parte essencial da criação. Lola, aos 23 anos, já é vista como uma voz feminista na música pop britânica, alguém que não teme expor vulnerabilidades e contradições. Críticos a chamam de "promessa" , fãs a chamam de "necessária" . Mas no fundo, ela é apenas uma jovem que aprendeu a transformar seus tropeços em arte. E Cecília? Cecília ainda não sabe o que é feminismo, mas já entende, no corpo, o que é liberdade. Quando bate em um tambor, quando imita os vocais distorcidos de um gato ou de uma guitarra, quando ri de seus próprios erros tonais, ela está exercendo um direito fundamental: o de existir sem se explicar. Seus pais não a pressionam para acertar; incentivam-na a tentar. E nisso há uma pedagogia revolucionária – a mesma que, talvez, tenha moldado Lola Young em sua infância. A psicologia humanista nos lembra que a autorrealização nasce desse ambiente de aceitação. Carl Rogers diria que Cecília está desenvolvendo seu "self" em um espaço sem condições de valor – ou seja, ela não precisa ser "boa" para ser amada. E é assim que surgem as artistas, as pensadoras, as mulheres que não cabem em caixas. Lola Young, em "Messy", celebra a bagunça porque sabe que é nela que residem as descobertas mais brutais e belas. Cecília ainda não conhece Lola Young, mas um dia vai ouvir "Messy" e talvez se reconheça. Não porque será uma estrela (isso é detalhe) , mas porque terá aprendido, desde sempre, que sua voz – desafinada, rouca, alta, baixa, como for – merece ser ouvida. E que a vida, afinal, é um pouco messy mesmo. Por Edu Fontes, para a coluna Escuta Só – SoulCostaVerde.com
- Um Paraíso Que Parece de Mentira (Mas É Real!)
Com mais de 365 ilhas, Angra dos Reis é o destino perfeito para quem quer se desconectar do mundo e se reconectar com a natureza. Angra dos Reis, na Costa Verde do Rio de Janeiro, é uma joia cercada de mar por todos os lados. Mas não é qualquer mar. São águas cristalinas, mornas e cheias de vida que abraçam mais de 365 ilhas , uma para cada dia do ano. E cada uma delas tem sua própria personalidade, histórias e belezas escondidas. Quando você pensa em Angra, talvez venha à mente a famosa Ilha Grande — e com razão! Ela é a maior e uma das mais encantadoras, com praias paradisíacas, trilhas, cachoeiras e comunidades acolhedoras. Mas o arquipélago vai muito além. Tem ilha com mansão de celebridade, ilha deserta perfeita para um piquenique a dois, ilha com restaurante flutuante e até ilha com igreja centenária. Ilha da Gipoia , Ilha Botinas , Ilha do Jorge Grego , Ilha da Cavala … cada nome já parece um convite pra aventura. E não pense que é só beleza. A vida marinha é um show à parte. É comum ver tartarugas, peixes coloridos e até golfinhos nadando por ali. Mergulhar ou fazer snorkel em Angra é como entrar num aquário natural. CURIOSIDADE: Sabia que Angra dos Reis tem mais ilhas do que dias no ano? E muitas delas só são acessíveis de barco — o que torna cada passeio uma experiência exclusiva. ENTÃO: Se você ainda não visitou Angra, talvez esteja na hora de colocar esse destino no topo da sua lista. E se já foi, sabe que é impossível ir só uma vez. As ilhas de Angra não são só lugares, são experiências que ficam na alma. E o Soul Costa Verde está aqui pra mostrar cada pedacinho desse paraíso.
- Escuta Só: O Último Adeus do Menino que Queria Ser Monstro
Escuta Só Quando o 'Madman' me ensinou que até os demônios têm saudade de casa. "Mama, I'm coming home..." A voz quebrada de Ozzy Osbourne ecoa no fone de ouvido, e de repente não sei mais se ele está cantando para a mãe, para Sharon, ou para todos nós que crescemos ouvindo seus uivos. O mesmo cara que mastigou a cabeça de um morcego no palco agora anuncia sua aposentadoria com uma delicadeza que desmonta o mito. O demônio tem pressa de voltar pra casa. Eu o conheci pelos escândalos, é claro. Mas foi numa festa de Halloween na Vila da Petrobrás – aquela fileira de casas iguais que hoje não existem mais – que "Back at the Moon" explodiu nos alto-falantes. O som ecoou entre risadas de adolescentes e o Jeep do pai do Bigú tombado no gramado, a galera caída e rindo da própria sorte numa época sem lei seca que permitia certas doideiras. Ozzy chegou como um convidado alucinado, e eu, o menino que ainda não sabia ser careta, entendi na hora: aquele cara que chamavam de monstro cantava como quem só queria ser aceito. Anos depois, descobri "Mama, I'm Coming Home" . Era uma balada? Uma carta de perdão? Ozzy, o mesmo que berrava "I don't wanna stop" , agora confessava: "Times have changed and times are strange / Here I come, but I ain't the same" . A música virou o hino não dito das nossas voltas pra casa, das noites que terminavam com o sol nascendo e a promessa (quase sempre quebrada) de que "dessa vez, vou me cuidar". Agora, em 2025, Ozzy anuncia que não tem mais corpo para as turnês. As dores crônicas o derrotaram. Mas ele não está fugindo: está voltando. Como na canção, ele escolheu o fim da estrada com dignidade. E eu, o menino que um dia achou que ser louco era virtude, entendi que Ozzy nunca foi só sobre destruição — foi sobre encontrar um lar mesmo no caos. Valeu, Ozzy! Por me mostrar que até os reis do horror cansam. Sua música foi o morcego que eu precisei morder para descobrir que, no fundo, todo mundo só quer chegar em casa são e salvo. Obrigado pela atitude, meu velho. Boa viagem pra casa. Escuta Só: https://open.spotify.com/track/0S3gpZzlT9Hb7CCSV2owX7?si=zblrqLrKRuiEtV0yaewoQQ
- Entre nomes trocados, histórias esquecidas e uma cidade que resiste
Você já ouviu falar que Rio Claro já teve outro nome? Pois é… nem todo mundo sabe, mas esse cantinho do interior do Rio já se chamou Itaverá ! E não para por aí. Teve até uma cidade vizinha, São João Marcos, que foi incorporada ao território. Bora entender esse enredo digno de novela histórica? A história começa lá no século XVIII, quando o desbravador Simão da Cunha Gago — nome forte, né? — veio pelas bandas da Paraíba Nova , como chamavam a região onde hoje fica Resende. Por lá, em 1733, João Machado Pereira montou sua fazenda e logo construiu uma capelinha dedicada a São João Marcos. Pronto! Estava plantada a sementinha do que viria a ser uma importante comunidade da região. Com o tempo, essa pequena vila foi crescendo, virou freguesia em 1755, e no fim do século já tinha até igreja de respeito, reunindo cada vez mais gente em torno dela. O lugar passou a se chamar São João do Príncipe — nome de realeza, diga-se de passagem! Por muito tempo, Rio Claro e São João do Príncipe seguiram caminhos paralelos, cada um crescendo no seu ritmo. Mas aí veio o boom do café. Aí, meu amigo… a região bombou! Fazendas brotando por todo lado, casarões imponentes sendo erguidos, dinheiro circulando — foi uma época de ouro! Mas como tudo na vida, as marés mudam. Com o fim da escravidão e o café migrando para São Paulo, as coisas começaram a esfriar. Rio Claro se virou bem, trocando café por gado leiteiro. Já São João Marcos não teve a mesma sorte. Ficou fora das rotas rodoviárias e ferroviárias, perdeu força… e acabou sendo incorporada a Rio Claro em 1938. E lembra do Itaverá que falei lá no começo? Pois é, entre 1943 e 1956, Rio Claro adotou esse nome temporariamente. E teve mais mudança: a vila que antes era chamada de Santo Antônio do Capivari , depois virou Parado , e hoje atende por Lídice . Ufa! Quantos nomes, né? A verdade é que Rio Claro tem dessas histórias que poucos contam, mas que merecem ser lembradas. Afinal, é dessas transformações, recomeços e reinvenções que se faz a alma de um lugar. E é por isso que a gente ama contar essas histórias aqui no Soul Costa Verde — com verdade, leveza e um pouco de charme também.









